A minha filha está numa fase gira, gira, gira. E até eu que não sou muito destas coisas, dou por mim a olhar enternecidamente para cada gracinha, cada sorriso, cada palavra, enquanto a baba me escorre copiosamente pelos cantos da boca (bonita imagem).
Ela é espertalhona, é desenrascada, é despachada, é tagarela, aprende depressa, imita tudo o que vê, fixa tudo o que lhe ensinamos. E além disso é gira, gira, gira. Tem um sorriso contagiante, é meiguinha com toda a gente de quem gosta. Dá beijinhos mesmo sem lhe pedirmos e abracinhos a torto e direito e sabe tão bem!
Também é muito teimosa mas hoje não vou falar dos defeitos. Ajuda em casa, naquilo que sabe, leva a fralda para o lixo, vai buscar os chinelos ao pai. Pelo caminho mexe em tudo o que aparece à frente e só faz pequenos disparates mas antes assim do que mosca morta. Não pára quieta um segundo excepto quando está com sono e aí começa a querer mexer-me no cabelo e eu percebo logo que é o João Pestana a espreitar. A ver o Noddy (que ela adora e cujo nome pronuncia da forma mais querida deste mundo, mas perfeitamente e com todas as letras) lá se aguenta um bocadinho mais. Mas só um episódio ou nem isso de cada vez, porque lá fora há um mundo inteiro para explorar, na sala, no quarto dos pais, na cozinha, nas casas de banho...
Já se percebe bem quase tudo o que quer dizer. Ontem dizia "mãe tenta" para que eu me sentasse no chão do quarto com ela, depois agarrou numa das minhas netas gémeas e entregou-me a dita para eu lhe dar o leite "mãe, bebé". "Pô bebé" é porque quer dar banho (a fingir) ao Nenuco, também com o champô de fingir. Quando se quer sentar à mesa da cozinha dá palmadinhas na cadeira (e não é na dela mas nas nossas) e diz "Pipa tenta ki". E fica gira, gira, gira.