No seguimento da baba que impera aqui por estes lados, só é pena não conseguir descrever correctamente em palavras o queixo caído, boca aberta e ar de espanto do pediatra na consulta dos 21 meses da terrorista enquanto ela falava, falava, falava, falava e raciocinava, raciocinava, raciocinava, raciocinava... Eu já achava que era demais, agora a sensação sai ainda mais reforçada com a repetição (já mencionada na consulta dos 18 meses) do
"isto não é normal, vocês sabem que não é normal, não sabem? e com a sugestão de "
se calhar ela tem de avançar um ano na escola..." Não me parece nada bem se isso implica mudar de educadora e mudar de amigos. Mas que ela é uma tagarela e faz frases de mais de meia dúzia de palavras, constantemente, isso faz.
Não admira que às vezes nos esqueçamos que estamos a falar com um bebé. Ontem, a avó relembrou que na altura do 25 de Abril e meses subsequentes, com a idade dela mais ou menos, eu cantava perfeitamente:
Uma gaivota voava voava, quando for grande não vou combater... E ainda me queixo da precocidade da miúda.
Há dias, não sei bem porquê, dissemos-lhe o nome todo. Ela repetiu, um a um a seguir a nós dizermos. 2 ou 3 dias depois, estávamos a jantar, ela estava entretida na cadeira dela e de repente sem mais nem menos, diz o nome todo seguido, à maneira dela, mas todo correcto (e olhem que ela tem 4 apelidos...). Estes putos de hoje em dia têm muitos mais gigas de memória que nós tinhamos, ou é impressão minha? E agora quando lhe perguntamos o nome, já não diz só Pipa, diz o nome todo (isto mais o contar até 10 e ter acertado a cor das calças do boneco que o médico, o
doutoi migo, lhe deu para a mão, justificam a boca aberta dele. Se bem que as cores, continuo na minha, é uma questão de sorte. Dantes respondia
amaielo a tudo, agora umas vezes diz
vede, outras
azuli).
De resto, tudo bem com os 11 kgs de gente. Acho que não me preciso de preocupar com as notícias de hoje de que Portugal tem a maior taxa de obesidade infantil da Europa (ou qualquer coisa assim parecida) porque ela é bem capaz de só fazer uma refeição (das maiores) por dia. Ontem almoçou lindamente esparguete à bolonhesa pela própria mão, nem cuspiu a carne nem nada como costuma fazer. Para compensar não jantou e não quis o leite à meia-noite (esta parte é que é estranho ter recusado).
Pela segunda vez consecutiva (sábado e domingo), adormeceu sozinha na cama dela, sem um de nós ao lado, sem o meu cabelo a ser puxado. Já há uma semana que eu andava a treinar a estratégia. Deitava-a, ela dizia
queio mujica mãe, eu ligava a aparelhagem (o CD da Cerelac é um espectáculo para adormecer) e depois dizia-lhe que me ia embora. E ela
deita mãe, deita aqui e apontava o espaço da cama ao lado dela. A mãe vem já, vai só ali e vem já, 'tá bem? (vestir o pijama, ir à casa de banho, qualquer coisa servia). Foi sempre verdade. Eu fui de facto fazer essas coisas e voltei. Para ela ver que não estava a mentir e que voltava mesmo, outras vezes porque ela deitadinha na cama sem se levantar (coisa rara e nunca vista) chamava
mãeeeeeee. Sábado menti-lhe. A mãe vem já, 'tá bem?
É. Mas não voltei, não com ela ainda acordada pelo menos. A festa de sábado com muitos amigos e o cansaço com que ela estava deixaram-me adivinhar que aquilo ia ser instântaneo, logo um bom dia para experimentar. Funcionou lindamente. Ontem voltei a tentar. Achei que me ia chamar em segundos mas não chamou. Fui lá espreitar e estava acordada, braços a mexer, mas deitada como a tinha deixado. Não me viu. Voltei minutos depois. Já dormia. Mais uma batalha aparentemente vencida. Mas então porque é que me sinto tão mal por lhe mentir????? :-(
Se dorme bem na cama grande, está muito bem desenvolvida a nível motor, de linguagem, de raciocínio e tudo e tudo, é fácil de aturar (apesar da energia inesgotável não é muito de birras e é fácil de levar com outra distracção), como quem diz, se esta saiu bem,
está na altura de mandar vir outro (e foi a 1ª vez que o pediatra falou no assunto... oh... o cerco aperta...)
Não deixem que ela se torne num macaquinho de circo... os pais e os avós têm tendência para estar sempre a pedir-lhes para fazer coisas quando eles são assim, mas não caiam nessa tendência. Dêem-lhe muito carinho e muitos beijinhos (desde o 1º dia que ele diz isto e isso só me faz gostar ainda mais dele).
Portou-se bem na consulta, só choramingou para ver os ouvidos (tudo bem sem otites, ufa), de resto deixa fazer tudo mesmo com alguma resistência. Só me lembro dela ter chorado numa única consulta até hoje, entre rotinas e urgências devem ter sido umas 12. Só chorou numa, é uma boa média.
Mental note: não esquecer que ela só tem 21 meses a caminho dos 22. Sim, nós se calhar puxamos um bocado por ela, porque repetimos o que dizemos, porque verbalizamos tudo o que fazemos, afinal o mesmo que se faz na escola. Mas ainda acho que é mais ela que puxa por nós, parece que está sempre sedenta de conhecimento e coisas novas e apreende tudo (até já chama
chato a um de nós quando alguma coisa não lhe agrada...)
Hoje há reunião de pais no colégio. Estou curiosa para saber tudo o que vão fazer este ano. E para saber como é que ela se está a dar no sítio onde passa a maior parte da vida (até parece que não vou sabendo as aventuras e conquistas diariamente, mas nunca é demais saber)!
Hoje estou... restless.